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A startup que ajuda empresas de saúde a otimizarem o processo compras

A startup que ajuda empresas de saúde a otimizarem o processo compras

Rapicare
Sócios da Rapicare

Com a missão de digitalizar a cadeia de suprimentos para redes de clínicas, laboratórios e home cares, a Rapicare atraiu investimento de R$ 5,3 milhões. Já ajudou clientes a reduzirem o número de recebimentos de fornecedores em 80% e a diminuir o volume de contas a pagar e suprimentos em 99%

A Rapicare, startup que otimiza o processo de compras para empresas de saúde, acaba de levantar R$ 5,3 milhões em investimento inicial, em rodada liderada pela firma de venture capital Canary.

Foi em novembro do ano passado que André Iaconelli, Enrique Garcia-Muniz, Filipe Boldo e Raphael Gordilho começaram a rodar o piloto da Rapicare. Com investimento próprio e de alguns investidores-anjo, desenvolveram uma tecnologia que usa inteligência artificial para integrar e automatizar as áreas de compras, logística e contas a pagar em uma só plataforma intuitiva e fácil de usar. Os fornecedores podem ser acessados pelo mesmo lugar, de maneira padronizada, transparente e segura. Desde que iniciou o projeto, a startup já soma mais de 45 unidades atendidas, que fazem pedidos recorrentes por meio da solução, além de terem iniciado projetos por meio dos quais podem atender mais de 1.000 pacientes em atenção domiciliar.

Os itens oferecidos são variados. “Somos agnósticos quanto ao espaço de saúde que atendemos. Oferecemos desde medicamentos, passando por luvas, máscaras e óculos de proteção para profissionais de saúde e suas equipes até materiais de escritório e limpeza.”, diz André, co-fundador da Rapicare.

O serviço funciona assim: a Rapicare ajuda o estabelecimento de saúde a cadastrar a equipe responsável pelos processos de compras e seus destinos específicos – o que é feito em questão de minutos e de maneira totalmente remota. Por lá, o usuário encontra uma variedade de fornecedores que já atuam junto à empresa. E mesmo que o cliente tenha fornecedores homologados, também é possível cadastrá-los na plataforma, com a mesma facilidade.

 A busca por produtos é descomplicada: não importa a nomenclatura utilizada, a Inteligência Artificial, chamada AMI, consegue padronizar os nomes dos itens listados. ”Uma dor muito comum das áreas de suprimentos de serviços de saúde de diferentes portes é a falta de padronização no cadastro de produtos. Se você busca por Dipirona, por exemplo, provavelmente, encontrará somente itens que foram registrados com esse nome específico e não a totalidade dos que são oferecidos. Nomes comerciais, abreviações, outras apresentações e alternativas não aparecem nos resultados, limitando o poder de pesquisa e compra”, diz Enrique, co-fundador.

Além disso, muitas vezes o comprador que sempre adquire um produto da mesma marca sequer conhece ou tem acesso a outras ofertas disponíveis no mercado, de outras empresas. Na Rapicare, no momento em que ele pesquisa o produto desejado, pode ver sugestões de produtos similares e seus preços, sem ter de consultar técnicos (enfermeiros ou farmacêutico) ou até os fornecedores.

Assim, basta o cliente criar os pedidos e monitorá-los por meio da plataforma. A Rapicare fica não só responsável pelo recebimento das encomendas dos múltiplos fornecedores, como também pelo pagamento dos mesmos e entrega de última milha nos endereços cadastrados. Tudo o que o serviço de saúde recebe é um boleto por pedido e um entregador batendo à porta em datas e horários pré-estabelecidos. Ou seja, os responsáveis pelos processos de logística conseguem organizar suas demandas e pedidos mais facilmente, gastam menos tempo com processos repetitivos (como organizando pilhas de notas fiscais e boletos). No final do dia,  ganham tempo para se dedicar a questões mais importantes.

“Aproximadamente 30% do que é gasto em saúde pode ser considerado desperdício. Acreditamos que isso ocorre, em parte, por conta da ineficiência dos processos e fragmentação das operações. Ao digitalizarmos a cadeia, conseguimos ajudar nossos clientes a construírem processos mais ágeis, integrados e eficientes, sem um trabalho manual e repetitivo – é tão simples quanto usar um serviço de delivery de alimentos.”, diz Raphael Gordilho, médico e co-fundador da Rapicare.

Empoderando os pequenos

Os sócios conheceram-se durante almoços com amigos em comum. Depois de trabalhar em grandes bancos, o administrador André Iaconelli atuava como investidor-anjo de startups, assim como o engenheiro financeiro Enrique Garcia-Muniz, formado nas universidades de Harvard e Cornell (ambos são, até hoje, membros dos conselhos de diferentes de empresas). O engenheiro da computação Filipe Boldo já havia fundado outras startups e trabalhou com o médico Raphael Gordilho, que, além de empreendedor serial reconhecido no campo das healthtechs, co-liderou a Live Healthcare Media até sua venda para uma grande multinacional. Em um desses encontros, o quarteto identificou os gargalos na cadeia de suprimentos de saúde.

Enquanto outros setores da economia digitalizaram-se para otimizar operações de supply chain, a logística para a saúde continuava analógica e pulverizada. A maior parte das mudanças é voltada para grandes hospitais ou ao cliente final. “Ninguém estava olhando a fundo para a experiência dos negócios da cauda longa da saúde. Era um perfil que estava desamparado e dependente de soluções caras e complexas. Ainda lidavam muito com papel e troca de informações críticas para o negócio por meio de de ferramentas impróprias”, diz Filipe, co-fundador.

O problema que os fundadores da Rapicare querem resolver é antigo e acentuou-se durante a pandemia do Coronavírus. Um dos efeitos mais críticos da disseminação da COVID-19 no mundo foi o desabastecimento de materiais básicos para profissionais da saúde e empresas que atuam no segmento. Em poucas semanas, a demanda de fornecedores aumentou e muito.

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Sócios da startup Rapicare

Clínicas, laboratórios e home cares sentiram acentuadamente esse efeito,  assim como as grandes organizações, sofreram com o aumento de preços e redução de estoques nos fornecedores. Ao eliminar a necessidade de pedidos mínimos e automatizar etapas do processo de suprimentos, a Rapicare consegue gerar eficiência, oferecendo um serviço acessível, com planos a partir de R$ 99 por mês.

Outra questão que a startup ajuda a resolver é a centralização de fornecedores e, portanto, de produtos variados. Isso permite que seus clientes não precisem contatar canais diversos para demandas diversas e nem gerir múltiplos fornecedores. Uma empresa cliente da Rapicare chegou a reduzir em 80% o número de recebimentos de fornecedores, contando agora somente com o serviço da Rapicare. Além disso, diminuiu em 99% seu volume de boletos a pagar em suprimentos. “Economizamos o equivalente a 22 dias de trabalho da equipe de recebimentos e fracionamentos, porque conseguimos gerar mais eficiência a essas áreas e liberá-las para atuar em atividades que gerem mais valor para o negócio”, diz Raphael. “É uma solução 360º, que apoia ativamente os clientes, desde a geração da demanda interna até a entrega.”, diz André.

Das vantagens já notadas por clientes da Rapicare, destaca-se a economia de tempo: de implantação do sistema, de resposta aos pedidos e de atendimento. Boa parte das plataformas existentes hoje no mercado exigem não só uma elevada quantidade de horas dedicadas à instalação de suas soluções, com treinamento específico para tanto, como até o auxílio de uma equipe extra para implantação (o que geralmente é cobrado do cliente).

O sistema da startup permite que o serviço possa ser usado em até 5 minutos após a contratação e a validação de documentos. Fora isso, pedidos que geralmente demoram dias para serem efetuados pelos pequenos estabelecimentos podem ser feitos em questão de minutos ou segundos, por meio de listas e kits criados pelo próprio cliente na plataforma. Outro benefício são as soluções para fluxo de caixa: a startup oferece até 90 dias para o pagamento das compras enquanto realiza o pagamento dos fornecedores à vista. “A economia e ganho de eficiência dos negócios atendidos pela Rapicare variam de acordo com a área em que nossos clientes atuam. Mas já recebemos relatos de alguns que viram suas despesas mensais caírem 20% na comparação com o processo tradicional que usavam. Isso, sem falar no menor gasto de tempo com documentos, contas a pagar e monitoramento da logística.”, diz Raphael. “Nosso objetivo é fazer com que a operação tenha tempo para focar naquilo que realmente importa: assistência ao paciente. Com um de nossos clientes, após 6 meses de operação, economizamos 1 mês de trabalho evitando que tivessem de lidar com uma grande quantidade de contas a pagar e recebimento de múltiplos pedidos.”

A ideia atraiu a atenção de investidores e a Rapicare recebeu R$ 5,3 milhões em rodada fechada em junho deste ano. “A Rapicare atende um mercado bastante desassistido. Em momentos de pandemia e escassez de produtos básicos de saúde, é evidente a necessidade de um negócio que mira os diversos pequenos negócios na área, otimizando sua logística de compras. Além disso, estamos falando de um time de fundadores com experiência nos mundos de negócios, tecnologia e saúde, com a capacidade de atrair ótimos talentos para ajudá-los nessa jornada”, diz Marcos Toledo, co-fundador e managing partner do Canary.

Matéria originalmente publicada no Portal Saúde Business, em 22/07/20. Leia na origem.

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